Com foco no monitoramento e preservação dos manguezais, pesquisadores do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA) - Tamancão, no bairro Anjo Guarda, em São Luís, desenvolveram um dispositivo que está impactando a vida de pescadores da região. Apelidado de ‘Guará 12’, o robozinho vem transformando o modo como estas comunidades artesanais enfrentam os desafios da natureza. O dispositivo foi apresentado no estande da FAPEMA, durante a 77ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre até sábado(19) na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em Recife (PE).
O projeto ‘Guará 12 – Dispositivo de Monitoramento da Área Manguezal da Comunidade Tamancão’, coordenado pelo professor Luiz Frazão, une ciência e tecnologia às práticas tradicionais de pesca da comunidade. O CubeSat, mini satélite, também promove educação ambiental e incentiva a conservação dos manguezais. “Esse projeto mostra que ciência de qualidade pode e deve ser feita nas escolas públicas e voltada para as comunidades”, observa o professor Luiz Frazão. Ele acrescenta que o Guará 12 é um dispositivo ambiental, resultado do diálogo entre tecnologia, meio ambiente e as necessidades reais da população local.
Sistema inovador, o sistema de monitoramento ambiental coleta dados, como temperatura, umidade, precipitação, luminosidade e nível das marés, em tempo real. Tudo isso é transmitido via Wi-Fi para uma plataforma acessível pela comunidade, em especial os pescadores. O equipamento também possui uma câmera que registra imagens do manguezal, gerando um banco de dados visual que complementa os dados climáticos e ambientais. “Estes dados possibilitam aos pescadores planejar melhor suas atividades, informando, em tempo real, sobre o nível e situação da maré. Isso pode evitar perdas causadas por mudanças súbitas no clima ou maré, por exemplo. Portanto, estas informações facilitam a vida dos moradores, neste caso, da região do Tamancão”, explica Luiz Frazão.
Um recurso muito valorizado pela comunidade, foi o sistema de alerta de chuvas, que já evitou prejuízos em várias ocasiões. Com o aviso, os pescadores podem se preparar, antes de sair para a pesca. Isso auxilia no rendimento do trabalho e economiza tempo. De acordo com o levantamento realizado pela equipe do projeto, os dados coletados pelo Guará 12 comprovam a estabilidade e a eficiência do sistema. As informações de temperatura, umidade e chuva foram registradas corretamente pelo sistema, e disponibilizadas na plataforma em tempo real. A comparação com a tábua das marés mostrou-se extremamente útil para o planejamento das saídas dos pescadores para a atividade.
O pesquisador aponta que o principal desafio enfrentado é o acesso à internet. Durante os dias chuvosos, a instabilidade do sinal pode comprometer o envio de dados. Para solucionar esta questão, a equipe já trabalha em soluções alternativas, como armazenamento offline temporário e posterior sincronização dos dados.
Educação ambiental e ciência aplicada
Um dos grandes diferenciais do projeto é seu impacto educativo. Os estudantes Wenderson Reis e Vitor Mendes, integrantes da equipe, participaram ativamente da construção do Guará 12, desde a pesquisa inicial até o desenvolvimento dos sensores e da interface de dados. A participação dos alunos ampliou suas visões sobre a importância dos ecossistemas costeiros e reforçou o papel da escola na transformação social.
Além disso, o projeto estabeleceu parceria com alunos do curso de Oceanografia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Os acadêmicos foram responsáveis por fornecer a tábua das marés - ferramenta necessária para a leitura dos dados coletados. Essa integração entre ensino médio técnico e ensino superior também contribuiu para ampliar os vínculos acadêmicos e mostra os resultados da ciência colaborativa, avalia Luiz Frazão. “A FAPEMA tem um compromisso firme com o desenvolvimento científico regional, e esse projeto é um exemplo de como o conhecimento pode mudar vidas quando chega à ponta, nas comunidades”, declarou o presidente da FAPEMA, Nordman Wall. Ele acrescenta que a inovação precisa ser inclusiva, sustentável e sensível às realidades locais, como mostra o Guará 12.