Cidades João Pessoa - PB
Centro de Zoonoses de João Pessoa atende mais de 500 animais por mês, maioria vítima de abandono
Abandono animal: um fator de desequilíbrio que prejudica o meio ambiente e a humanidade. É com essa triste realidade que todos os dias os profissio...
09/09/2025 07h46
Por: Redação Fonte: Prefeitura de João Pessoa - PB

Abandono animal: um fator de desequilíbrio que prejudica o meio ambiente e a humanidade. É com essa triste realidade que todos os dias os profissionais do Centro de Zoonoses de João Pessoa se deparam. Dos mais de 500 animais atendidos mensalmente, pelo órgão público – entre os serviços ambulatoriais, de cirurgia, vacinação e Castramóvel – a grande maioria é vítima de abandono. Na última reportagem da série ‘Saúde Única: o cuidado integral de animais, humanos e meio ambiente’, vamos tratar sobre esse assunto e mostrar que há um amor que luta contra essa atitude.

Foto: Reprodução/Prefeitura de João Pessoa - PB
Foto: Reprodução/Prefeitura de João Pessoa - PB

“A maioria dos animais que entra aqui vem proveniente de demandas judiciais. São casos de maus-tratos, casos em que o tutor faleceu e não tem nenhum familiar próximo para ficar com o animal, situações de acumuladores e os que vivem nas ruas porque têm uma determinada doença zoonótica e precisa ser retirada do convívio com outros animais. A gente traz eles, faz testagem, todos os exames necessários, laboratoriais, teste de lâmina para esporotricose, reabilita o animal para que ele possa ganhar um novo lar”, pontuou Pollyana Dantas, gerente de Vigilância Ambiental e Zoonoses da Prefeitura de João Pessoa.

A negligência de alguns humanos com os animais é uma verdade que se choca ao sentimento doce e amoroso demonstrado nos gestos e palavras dos profissionais com quem conversamos. O descaso de uns revela que ainda vivemos em um estágio de crueldade em que se abandonam animais doentes para esperarem, sozinhos, com fome e sede, a morte. Para a sorte de muitos deles – não os seres humanos, e sim os bichos – João Pessoa tem uma rede municipal de amparo animal que resgata vidas.

Na roda que faz girar esse descaso, o desequilíbrio no ecossistema, do qual fazem parte – como já dito – homem, animal e meio ambiente. Em situação de abandono, os animais vão procriar de forma desordenada, transmitir doenças uns aos outros e espalhar enfermidades entre os humanos, inclusive os que os desampararam – entre elas a esporotricose e a leishmaniose.

Foto: Reprodução/Prefeitura de João Pessoa - PB
Foto: Reprodução/Prefeitura de João Pessoa - PB

A esporotricose, que por sinal é curável, é uma micose causada por um fungo (Sporothrix) que afeta humanos e animais, principalmente gatos, sendo transmitida por meio de lesões na pele. A transmissão ocorre por contato com material vegetal e solo contaminados ou por contato com animais doentes, e é essencial procurar um médico ou veterinário para diagnóstico e tratamento.

A leishmaniose é uma doença infecciosa causada por parasitas do gênero Leishmania. Ela é transmitida aos seres humanos e outros animais por meio da picada de insetos infectados, conhecidos como flebotomíneos ou mosquitos-palha.

Coração humano – Alguns especialistas em jornalismo defendem a tese de que o autor da reportagem não deve reportar o texto na primeira pessoa. Há quem acredite que o jornalista tem apenas que descrever os cenários e personagens sem se envolver na matéria. Perdoem-me! Não consigo alimentar essa crença. Por isso, assumo o texto em primeira pessoa, me permitam.

Quando olhei nos olhos dos profissionais entrevistados e eles me falaram sobre abandono, senti o aperto no coração de cada um. A tristeza era nítida por conviver com essa realidade tão funesta. E foi Kalliny Feliciano quem definiu essa atitude. Ela falou sobre a falta de vínculos, e a sua expressão revelava a angústia de saber que há tutores que não os estabelecem.

Foto: Reprodução/Prefeitura de João Pessoa - PB

“O abandono, ele se caracteriza por falta de vínculo, na verdade. Porque a partir do momento que você tem vínculo com o animal, você respeita e ama aquele animal, você nunca vai abandonar. Só vai planejar a sua vida de acordo com o que caiba naquele animal. A partir do momento que você abandona aquele animal, é porque há um desvio de caráter e porque você não tem vínculo”, alerta Kalliny.

Avanços na saúde pública – Mas, o reino animal não é feito apenas de abandonos. Isso fica bem claro nas falas de Alick, Kalliny, Lucas e Pollyana. Em meio a todo esse assunto, lágrimas verteram dos olhos da gerente de Vigilância Ambiental e Zoonoses ao narrar e acolher com exaltação os avanços conquistados no Centro Municipal de Zoonoses, um sentimento sincero e contrário a negligência.

Pollyana é só amor pelos animaizinhos. Por isso, ela celebra cada investimento, cada melhoria, cada nova fase que amplia o cuidado com a causa animal no sentido macro, porque, como dissemos em todo o transcorrer deste trabalho, isso significa cuidar do humano e do ambiental. Um desses avanços é a grande mudança estrutural que já começou a acontecer no Centro de Zoonoses.

“A maioria da unidade vai passar por uma demolição total, que é o caso dos canis e dos gatis. Eles vão ser totalmente reconstruídos. Terão espaços desde a recreação para os animais, espaço para que os futuros tutores cheguem e conheçam esses animais. A parte também de solário, que é fundamental para que eles tenham uma qualidade de vida no período que estão aqui, aguardando essas novas famílias enquanto estão em reabilitação”, revelou Pollyana Dantas.

Foto: Reprodução/Prefeitura de João Pessoa - PB

Mudança importante, que trará vida nova a todos. “As salas serão maiores. A qualidade do atendimento também mudará, porque teremos mais espaço para que os profissionais se dediquem às suas funções, que a maioria são funções exclusivas aqui da unidade. Todos terão mais espaço e um ambiente totalmente novo, humanizado, tanto para os animais quanto para os usuários”, falou a gerente de Vigilância Ambiental e Zoonoses.

Missão, veterinário – Para quem está na fase de sonhar em se tornar médico-veterinário, cujo dia do profissional é comemorado neste 9 de setembro, é importante saber que não basta conhecer a técnica de cuidar dos animais e entender o sistema de Saúde Única. É preciso muito mais para desempenhar a vocação que alicerça a construção do tripé que a compõe, como ressalta Kalliny Feliciano.

“É preciso ter amor, caráter é ética. A técnica a gente consegue aprimorar, consegue moldar a pessoa com a técnica. Agora, se não tem amor pelo que faz, não tem ética, caráter, você vai ser um profissional muito raso, não vai ser um bom profissional”, declarou Kalliny, que recebeu a aprovação das palavras por Alick e Lucas.

Foto: Reprodução/Prefeitura de João Pessoa - PB
Foto: Reprodução/Prefeitura de João Pessoa - PB

Amor, caráter e ética. No Centro de Vigilância Ambiental e Zoonoses da Capital eu testemunhei tudo isso exalar pelos poros de Alick, Kalliny, Lucas e Pollyana, porta-vozes de todos que carregam no coração a dádiva de agir como eles, como um super-herói ou super heroína do mundo animal/humano. E, como disse Alick, lá no comecinho da nossa série de reportagem, heróis e heroínas de toda a humanidade.