O Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) emitiu nesta quarta-feira (1°/10) um alerta epidemiológico devido à ocorrência de um surto de doença meningocócica no município de Pelotas, na região Sul do Estado. A medida visa reforçar a atenção dos serviços de saúde e orientar a população sobre os sinais da doença e as ações de prevenção.
Em Pelotas, foram confirmados cinco casos da doença neste ano: três pelo tipo, ou sorogrupo, Y (sem vínculo entre si) e dois pelo sorogrupo C da bactériaNeisseria meningitidis. Nenhum evoluiu para óbito. Já em Canguçu, município da mesma Coordenadoria Regional de Saúde, foram registrados dois casos adicionais, ambos pelo sorogrupo Y, incluindo um óbito de um homem de 38 anos. Com sete casos confirmados na regional neste ano, o número já supera os registros de 2023 (dois casos) e 2024 (cinco casos). As notificações ocorreram entre maio e início de setembro, com idades variando de5 meses a 72 anos
Definição de surto e medidas de controle
A caracterização de surto comunitário em Pelotas do sorogrupo Y atende ao critério técnico de três ou mais casos, sem relação entre eles (diferentes cadeias de transmissão), em um intervalo de até três meses na mesma localidade. A confirmação é feita em conjunto pelo município, Estado e Ministério da Saúde, considerando também o contexto epidemiológico.
Outro surto de doença meningocócica foi identificado em setembro, no município de Bento Gonçalves, com três casos confirmados entre julho e agosto . Contudo, diferente do cenário registrado em Pelotas, os casos na cidade da Serra foram causados pelo sorogrupo B da bactéria, não possuindo vínculo com os casos de Pelotas ou com os de Canguçu.
Diante desse cenário, o Cevs orienta os serviços de saúde da região a manterem atenção redobrada para a identificação precoce de casos suspeitos. As principais medidas de resposta incluem:
Sintomas e orientação à população
A população deve procurar atendimento médico imediato ao surgimento de sintomas, especialmente se forem de início súbito. Os sinais incluem:
Sinais de gravidade, como dificuldade para respirar, palidez, extremidades frias e queda rápida do estado geral exigem atenção imediata. É recomendado levar a caderneta de vacinação ao serviço de saúde.
Vacinação é a principal forma de prevenção
A doença meningocócica é prevenível por meio da vacinação, disponível gratuitamente no Calendário Nacional de Vacinação. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estão previstas vacinas para quatro tipos da bactéria, uma específica para o sorogrupo C e outra vacina que conjuga os tipos A, C, W e Y.
Sobre a doença
A meningite é uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, podendo ser causada por vírus, fungos, parasitas ou bactérias. A forma bacteriana é a mais grave, com risco de sequelas e óbitos.
A doença meningocócica, causada pela bactériaNeisseria meningitidis, pode se manifestar como meningite, meningococcemia (infecção do sangue) ou ambas. A transmissão ocorre por contato direto com secreções respiratórias, como tosse, espirro ou beijo.
Os sorogrupos A, B, C, W, X e Y podem provocar quadros graves da doença e surtos. O período de incubação (entre o contágio e o aparecimento de sintomas) varia de dois a 10 dias, ocorrendo, em média, de três a quatro dias.
Situação epidemiológica no Rio Grande do Sul (2025):
Mais informações sobre o cenário epidemiológico das meningites estão disponíveis no site do Cevs .
Texto: Ascom SES
Edição: Secom