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Mais de 100 toneladas de farinha produzida em Sergipe serão exportadas para a Itália

Qualidade do produto sergipano foi determinante na escolha da empresa italiana que transformará matéria-prima em massas para atender mercado de ali...

30/10/2025 às 18h13
Por: Redação Fonte: Secom Sergipe
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Exportação ocorre por meio da Cooperativa de Produção, Economia Solidária de Agricultura de Campo do Brito
Exportação ocorre por meio da Cooperativa de Produção, Economia Solidária de Agricultura de Campo do Brito

Sergipe vai exportar, por meio da Cooperativa de Produção, Economia Solidária de Agricultura de Campo do Brito (Coofama), mais de 100 toneladas de farinha de mandioca para a Itália. A primeira remessa, com 27 toneladas do produto, saiu do município do agreste sergipano, que é um dos principais produtores do estado, nesta quinta-feira, 30, e deverá chegar nas próximas semanas ao país da União Europeia. 

A aprovação do produto sergipano se deu de forma célere, uma vez que o processo de produção local já obedecia a diversos critérios exigidos pela importadora. Na região, os produtores contam com o apoio do Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) e da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), e parte das práticas adequadas para a fabricação do produto são fruto de anos de acompanhamento e orientações passadas pelos técnicos do Estado, o que resulta no melhoramento da farinha produzida em Sergipe. 

Segundo o diretor de Planejamento da Seagri, Arlindo Nery, o mercado europeu prioriza produtos da agricultura familiar devido à qualidade dos alimentos, cuidado com a terra, o baixo de agrotóxicos e o envolvimento familiar e o Estado tem atuado para levar conhecimento aos produtores e incentivar o fortalecimento das cooperativas para que a produção local tenha acesso ao mercado internacional. “Também participamos de feiras internacionais, buscando contatos e mais conhecimento para fortalecer nossos agricultores. Recentemente, fomos a feiras, junto com outros estados do Nordeste, na Alemanha e Portugal, onde tivemos aulas sobre a parte burocrática, para verificar as exigências necessárias para que os nossos produtos entrem na zona do euro”, informa.

Além disso, o Estado tem várias formas de incentivo aos produtores e às cooperativas, que são necessárias para o acesso aos novos mercados, já que a produção para exportação precisa atender a diversos critérios, incluindo o maior volume de produto, que só é possível a partir da união dos pequenos produtores. “Há incentivos do Estado tanto via convênios, emendas, investimentos próprios em equipamentos, pesquisa, melhoramento de produto e assistência técnica. E, mais recentemente, abrimos uma frente de diálogo permanente com a ApexBrasil, que a agência de exportação do Brasil, que tradicionalmente sempre trabalhou para os grandes players e agora está voltada para a agricultura familiar, para termos o assessoramento para entrada nesses novos mercados, já que cada um tem a sua especificidade”, ressalta o diretor de Planejamento da Seagri.

O engenheiro agrônomo da Emdagro, Adailton dos Santos, explica que a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe fornece assistência técnica aos agricultores e à cooperativa para melhorar a produtividade e a produção agrícola local. “Há alguns anos, a mandioca sofreu um problema muito grave nessa região, com uma doença que apodrecia a raiz. A Emdagro, em parceria com a Embrapa, introduziu variedades de mandioca resistentes à podridão da raiz, reestruturando a cadeia da mandioca na região. Então, todo esse trabalho que, hoje, está culminando com essa exportação para a Europa, tem o trabalho do Estado através da Emdagro e de outros órgãos, como a Secretaria de  Estado  da Assistência Social e  outras secretarias que apoiaram esse processo produtivo desde o início da cooperativa”, frisa.

Qualidade diferenciada

O produto está sendo importado por uma empresa alimentícia italiana para fabricação de massas sem glúten. De acordo com o gerente de Vendas da Coofama, Lucas Nascimento, a escolha da farinha sergipana se deu devido à qualidade do produto produzido no estado. “A gente trabalha com três tipos de farinha, de acordo com a moagem: fina, média e grossa. Eles tentaram comprar em outros lugares antes de nos conhecer, só que não passaram na análise de exigência e aqui deu tudo certo, só precisamos ajustar pouca coisa”, pontua.

O gerente de Vendas da cooperativa destacou, ainda, que é a primeira vez que os empresários estão comprando farinha de mandioca do Brasil, e é em Sergipe. “O diferencial da nossa farinha são os cuidados que temos na produção, o conhecimento dos produtores e a nossa mão de obra qualificada. E nisso temos o apoio do Estado e de outros parceiros, como o Sebrae, com cursos, qualificações, análises e acompanhamento do nosso trabalho”, considerou.

Atualmente, a produção da Coofama, que conta com 52 cooperados, é de 400 toneladas de farinha por mês para abastecer os mercados de Sergipe, Alagoas e São Paulo. Mas, na região produtora da Rota da Farinha, que, além de Campo do Brito, abrange Macambira e São Domingos, cerca de 500 casas de farinha são responsáveis pelo beneficiamento do produto, processo reconhecido desde 2022 como Patrimônio Cultural e Imaterial de Sergipe.

Valorização

Para o produtor de farinha Felipe dos Santos, 27, é um orgulho ver seu produto chegar ao mercado internacional. “A gente produz farinha aqui desde a época do meu avô e nunca imaginamos que venderíamos para Europa, é muito bom porque valoriza nossa farinha, vendemos por um preço melhor”, conta. 

Felipe acrescenta que a demanda da exportação para Itália fez sua produção crescer de 100 sacos semanais para 150, o que possibilitou a contratação de mais mão de obra para auxiliar no processo de beneficiamento na casa de farinha. “Geralmente, uma casa de farinha emprega cerca de 20 pessoas, mas a gente só trabalhava dois ou três dias, agora, estamos trabalhando quatro ou cinco, o que é bom para os funcionários também”, evidencia. 

A agricultora Claudeci Silveira, contratada como raspadeira de mandioca, conta que a exportação garantiu uma renda a mais para os trabalhadores das casas de farinha da região. “A gente conseguiu mais serviço, então é uma renda extra para nós. Foi muito bom porque deu trabalho para muita gente”, comemora.
 

Qualidade do produto sergipano foi determinante na escolha da empresa italiana que transformará matéria-prima em massas para atender mercado de alimentos sem glúten / Fotos: Igor Matias
Qualidade do produto sergipano foi determinante na escolha da empresa italiana que transformará matéria-prima em massas para atender mercado de alimentos sem glúten / Fotos: Igor Matias
Primeira carga do produto, com 27 toneladas, saiu do município de Campo do Brito nesta quinta-feira e outras três remessas estão previstas para o país europeu até o mês de dezembro
Primeira carga do produto, com 27 toneladas, saiu do município de Campo do Brito nesta quinta-feira e outras três remessas estão previstas para o país europeu até o mês de dezembro
Produto está sendo importado por uma empresa alimentícia italiana para fabricação de massas sem glúten
Produto está sendo importado por uma empresa alimentícia italiana para fabricação de massas sem glúten
O gerente de vendas da Coofama, Lucas Nascimento, destaca que a escolha da farinha sergipana se deu devido à qualidade do alimento produzido no estado
O gerente de vendas da Coofama, Lucas Nascimento, destaca que a escolha da farinha sergipana se deu devido à qualidade do alimento produzido no estado
O engenheiro agrônomo da Emdagro, Adailton dos Santos, explica que a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe fornece assistência técnica aos agricultores e à cooperativa para melhorar a produtividade e a produção agrícola local
O engenheiro agrônomo da Emdagro, Adailton dos Santos, explica que a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe fornece assistência técnica aos agricultores e à cooperativa para melhorar a produtividade e a produção agrícola local
Segundo o diretor de Planejamento da Seagri, Arlindo Nery, o mercado europeu prioriza produtos da agricultura familiar devido à qualidade dos alimentos
Segundo o diretor de Planejamento da Seagri, Arlindo Nery, o mercado europeu prioriza produtos da agricultura familiar devido à qualidade dos alimentos
O produtor Felipe dos Santos falou do orgulho em ver seu produto chegar ao mercado internacional
O produtor Felipe dos Santos falou do orgulho em ver seu produto chegar ao mercado internacional
A agricultora Claudeci Silveira contou que a exportação garantiu uma renda a mais para os trabalhadores das casas de farinha da região
A agricultora Claudeci Silveira contou que a exportação garantiu uma renda a mais para os trabalhadores das casas de farinha da região
Atualmente, a produção da Coofama, que conta com 52 cooperados, é de 400 toneladas mensais de farinha por mês para abastecer os mercados de Sergipe, Alagoas e São Paulo
Atualmente, a produção da Coofama, que conta com 52 cooperados, é de 400 toneladas mensais de farinha por mês para abastecer os mercados de Sergipe, Alagoas e São Paulo
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