
O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS III Castanheira) comemorou, nesta sexta-feira (31), 21 anos de atuação em Marabá. A celebração reuniu pacientes, familiares e servidores em uma manhã de atividades voltadas à convivência, à valorização da história do serviço e à promoção da saúde mental. A programação incluiu dinâmicas, brincadeiras, homenagens, lanches e uma exposição de artes produzidas pelos usuários.
Desde a sua criação, o CAPS atua como referência no atendimento de pessoas com transtornos mentais graves e persistentes. O espaço integra a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do Sistema Único de Saúde (SUS) e desempenha papel essencial na política pública de saúde mental do município, oferecendo acompanhamento contínuo, acolhimento e ações de reinserção social.
A gerente do CAPS, Katiane Chaves, ressaltou que a trajetória do serviço reflete o crescimento da rede de atenção psicossocial em Marabá. Segundo ela, o município avançou de forma significativa na oferta de serviços e no fortalecimento das práticas de cuidado.


“São mais de 20 anos de história na saúde mental de Marabá. Iniciamos como CAPS I e hoje funcionamos como CAPS III, oferecendo um trabalho muito mais amplo e estruturado. Passamos por uma trajetória de muitos desafios, mas o serviço se consolidou e representa uma evolução importante para o município”, afirmou.
O CAPS III Castanheira funciona como porta aberta, acolhendo casos graves e urgentes 24 horas por dia. Os atendimentos terapêuticos e as atividades em grupo ocorrem durante o horário comercial, com a participação ativa dos familiares no processo de acompanhamento.
Durante o evento, uma das atrações foi a exposição de artesanato organizada por Jucicleia Mendes, uma das pacientes mais antigas do serviço. As obras foram produzidas nas oficinas terapêuticas conduzidas pela equipe de artesanato do CAPS, espaço onde os pacientes aprendem técnicas artísticas e desenvolvem habilidades manuais.


“Aqui no CAPS eu aprendo muito e recebo carinho e amor”, relatou Jucicleia, ao comentar sobre o impacto positivo das oficinas em sua rotina.
As atividades artísticas são reconhecidas como instrumentos terapêuticos que estimulam a socialização, a autoestima e a expressão emocional dos usuários, contribuindo diretamente para a melhora do quadro clínico.
Uma das servidoras mais antigas do serviço, a artesã Eliete Souza, acompanhou de perto a transição do antigo ambulatório de saúde mental para o modelo atual do CAPS. Ela ingressou na equipe em 2004 e relembra como o processo de transformação exigiu aprendizado e adaptação.


“Quando entrei, o serviço ainda era um ambulatório. Oferecíamos consultas médicas e atendimentos de suporte com psicólogo, enfermeiro e assistente social. Com a criação do CAPS, o atendimento passou a ser psicossocial, com foco no ser humano como um todo: corpo, mente, família e contexto social”, explicou.
Eliete destaca que o trabalho permanece desafiador diante da grande demanda, mas os resultados têm sido significativos.
“Temos visto muitos pacientes se reinserirem na sociedade, retomando suas atividades e reconstruindo suas vidas. Esse é o maior retorno que podemos ter como profissionais”, completou.
Colaborações externas
O profissional de Educação Física Eduardo Silva Gomes, residente em atenção à saúde mental pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), também atua no CAPS e explicou como a prática corporal é integrada ao tratamento dos pacientes.


“A educação física melhora o humor, a socialização e as funções mentais dos usuários. As atividades em grupo favorecem o convívio, a autoestima e a disciplina, tornando-se parte fundamental do processo terapêutico”, afirmou.
As práticas físicas e recreativas são planejadas conforme o perfil dos pacientes, priorizando a inclusão e o estímulo ao bem-estar coletivo.
A atuação do CAPS também se apoia na participação das famílias, que acompanham de perto a evolução dos usuários. Para Maria Raimunda Chaves, de 65 anos, mãe de um paciente atendido há mais de duas décadas, o serviço representa uma mudança profunda na forma de tratar a saúde mental.


“Meu filho é portador de esquizofrenia e antes do CAPS chegou a ser internado em manicômios. Hoje ele é acompanhado aqui, com dignidade e cuidado. A vida dele melhorou muito, e eu só tenho a agradecer à equipe”, contou.
Sobre o CAPS
Atualmente, o CAPS III Castanheira atende mais de 15 mil pacientes e conta com uma equipe composta por 65 servidores entre médicos, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, educadores físicos, enfermeiros e técnicos. O centro atende casos de média e alta complexidade e integra um conjunto de ações da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) voltadas à prevenção, tratamento e reinserção social de pessoas com sofrimento mental.










Texto: Sávio Calvo
Fotos: Paulo Sérgio
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