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Dia do Assistente Social: Servidora compartilha 15 anos de dedicação e superação de estigmas na saúde mental de Marabá

“Eu sempre digo que eu não escolhi o Serviço Social; foi o Serviço Social que me escolheu.” A frase, carregada de orgulho e dita com a propriedade...

15/05/2026 às 21h06
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Marabá - PA
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Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA

“Eu sempre digo que eu não escolhi o Serviço Social; foi o Serviço Social que me escolheu.” A frase, carregada de orgulho e dita com a propriedade de quem dedica a vida a transformar realidades, resume a trajetória de Ana Lídia Palheta.

Neste dia 15 de maio, data em que se celebra o Dia do Assistente Social, a profissional, que hoje atua na linha de frente do Ambulatório de Saúde Mental (Ament) e na Ala Psicossocial do Hospital Municipal de Marabá (HMM) partilha uma jornada de 36 anos de dedicação à garantia de direitos e à humanização do atendimento público.

Natural de Belém, Ana Lídia iniciou sua caminhada na Universidade Federal do Pará (UFPA) em 1990. Ela ingressou na academia em um dos períodos mais emblemáticos da profissão no Brasil: o movimento de reconceituação do Serviço Social, que reposicionou a carreira com um olhar crítico, político e profundamente ligado aos direitos humanos. “Tenho muito orgulho de ter a formação naquela universidade e de ter vivenciado aquele momento tão bonito de transição e amadurecimento da nossa profissão”, relembra.

A história com Marabá começou há exatos 15 anos, quando Ana Lídia foi aprovada em um concurso público e mudou-se para a capital do sudeste paraense. Desde então, ela divide seus dias entre o município e o Estado, onde também atua no atendimento socioeducativo da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa), por meio do Ciam.

Em Marabá, sua primeira escola de campo foi a política de assistência social pura. No entanto, há quatro anos, um novo chamado a conquistou em definitivo: a saúde mental.

A empatia como ferramenta de cura

Mudar de área exigiu sensibilidade. Ana Lídia recorda as conversas com o enfermeiro psiquiátrico da equipe, João Augusto, que sempre destacou o nível de entrega exigido no setor.

“Ele costuma dizer que os servidores que vêm para a saúde mental precisam ter muita empatia com esse fazer profissional, porque lidamos com o cotidiano de forma muito delicada e desafiadora”, pontua a assistente social.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA

No início da transição, a própria profissional se questionava sobre qual seria o limite exato de seu papel em uma ala hospitalar psiquiátrica. A resposta vinha da própria equipe técnica, que enxergava em Ana Lídia a ponte que a medicina, sozinha, não consegue construir.

“O enfermeiro João me dizia: ‘Ana, você tem o conhecimento da rede de apoio, da contrarreferência. Você entende a questão socioeconômica, a dinâmica familiar, o lado relacional e os direitos socioassistenciais desses pacientes’. A saúde mental, às vezes, enxerga apenas a condição clínica, mas o nosso papel é olhar o todo”, explica.

Para Ana Lídia, o maior desafio da profissão na atualidade é quebrar o estigma que cerca o sofrimento psíquico. A sociedade, de forma geral, tende a reduzir o indivíduo ao seu diagnóstico. A assistente social combate essa visão diariamente no HMM. “Quem olha de fora acha que uma pessoa com transtorno é apenas um paciente doente. Não é. Muitas vezes é um trabalhador da iniciativa privada ou um servidor público que adoeceu em decorrência do seu processo sócio-ocupacional, do estresse, da pressão do dia a dia”, alerta.

Ao humanizar o atendimento, Ana Lídia lembra que a linha entre a sanidade e a crise é tênue para qualquer ser humano. “Qualquer um de nós, independentemente da classe social ou profissão, pode desenvolver um transtorno ou passar por um surto. A nossa saúde mental é um patrimônio muito caro, algo que precisamos monitorar o tempo todo”.

Neste 15 de maio, o depoimento de Ana Lídia Palheta ecoa como um manifesto pelo respeito, pela empatia e pela valorização dos assistentes sociais que, nos bastidores dos hospitais, abrigos e secretarias de Marabá, garantem que a dignidade humana nunca seja deixada de lado.

Texto: Fabiana Alves
Fotos: Paulo Sérgio Santos

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