
A Agência de Defesa Agropecuária do Piauí (Adapi) contabilizou 444 solicitações de ingresso de máquinas e implementos agrícolas usados no estado entre janeiro e maio de 2026. Os dados são do módulo de fiscalização de trânsito de máquinas e implementos agrícolas do Sistema de Defesa Agropecuária do Piauí (Sidapi), ferramenta implantada pela agência para monitorar a movimentação desses equipamentos e fortalecer as ações de defesa vegetal.
Conforme o relatório, 13 estados realizaram 444 pedidos de ingresso de máquinas e/ou implementos usados ao Piauí com destaque para a Bahia, responsável por 38,7% do total com 172 solicitações, seguido de Paraná com 93 e Mato Grosso com 75, fechando as 3 primeiras colocações do ranking conforme a tabela abaixo.
| Posição | Estado de Origem | Quantidade | Participação (%) |
| 1 | Bahia | 172 | 38,7% |
| 2 | Paraná | 93 | 20,9% |
| 3 | Mato Grosso | 75 | 16,9% |
| 4 | Maranhão | 32 | 7,2% |
| 5 | Goiás | 19 | 4,3% |
| 6 | Piauí* | 15 | 3,4% |
| 7 | Tocantins | 10 | 2,3% |
| 8 | Mato Grosso do Sul | 10 | 2,3% |
| 9 | Distrito Federal | 5 | 1,1% |
| 10 | Minas Gerais | 5 | 1,1% |
| 11 | Santa Catarina | 4 | 0,9% |
| 12 | Pernambuco | 2 | 0,5% |
| 13 | Pará | 1 | 0,2% |
| 14 | Rio Grande do Sul | 1 | 0,2% |
| Total Geral | 14 estados | 444 | 100% |
Fonte: Sidapi (Sistema de Defesa Agropecuária do Piauí)
Além do volume de pedidos, a Adapi destaca uma particularidade identificada no monitoramento: 15 solicitações tiveram origem e destino no próprio Piauí. Os registros ocorreram porque determinadas rotas de transporte exigem a passagem por território baiano antes do retorno ao estado.
Embora o número consolidado de equipamentos ainda esteja sendo apurado, a estimativa preliminar indica que a quantidade de máquinas e implementos movimentados pode se aproximar de 800 unidades, já que uma única solicitação pode incluir mais de um equipamento.

Segundo o gerente de Defesa Vegetal da Adapi, Ozael Valério, as informações geradas pelo sistema são fundamentais para direcionar as ações de fiscalização e reduzir os riscos de introdução de pragas quarentenárias no estado. Entre as principais ameaças está a Amaranthus palmeri, planta daninha de elevado potencial invasivo que já ocorre nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Santa Catarina.
“A planta tem um alto potencial de crescimento em relação à soja, sufocando a cultura principal, produz muita semente, chegando a 1 milhão de unidades por planta, sendo também resistentes a muitos princípios ativos e sistema de ação de agrotóxicos. Assim, a fiscalização tem que ser forte para que as máquinas e implementos usados cheguem limpas ao nosso estado, pois a principal forma de dispersão dessa praga é através desses equipamentos transportados com restos de culturas e solo de um local com a praga para um livre e estamos trabalhando para que o nosso estado permanece livre dessa ameaça.”, explicou o gerente.
O sistema informatizado entrou em operação em 1º de janeiro de 2026 e já é considerado uma referência nacional. “Somos o primeiro estado do Brasil a manter uma fiscalização 100% digital e de fácil acesso ao produtor. A plataforma nos garante informações valiosas e nos permite ter uma fiscalização segura, já que toda máquina ou implemento só pode ser transportada após ser desinfestada e anexada uma Anotação de Responsabilidade Técnica de uma Engenheiro Agrônomo responsável pela propriedade de origem. Além disso, nossas barreiras físicas fazem a análise documental e das máquinas, dando mais segurança a nosso produtor sobre o controle da entrada de pragas no estado”, revelou Antônio Abreu, diretor-geral da Adapi.
A expectativa da Adapi é de crescimento significativo no número de solicitações nos próximos meses, impulsionado pela aproximação do calendário de plantio da soja no estado, que ocorrerá entre 30 de setembro de 2026 e 20 de março de 2027. Nesse período, é comum que produtores utilizem máquinas alugadas ou transportem equipamentos de propriedades localizadas em outros estados.
Além do controle de equipamentos destinados ao Piauí, a plataforma também monitora máquinas e implementos agrícolas usados que apenas transitam pelo território piauiense com destino a outras unidades da federação, ampliando a capacidade de vigilância e proteção fitossanitária do estado.
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