A denúncia de falta de alimentos em escolas da rede estadual e o afastamento da direção do Colégio Estadual Roberto Langer Júnior, em Curitiba, chegaram à tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná nesta segunda-feira (8). Durante pronunciamento em plenário, a deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT) cobrou explicações da Secretaria de Estado da Educação (Seed) sobre falhas no abastecimento da merenda escolar e possíveis represálias contra gestores que denunciaram o problema.
Segundo a parlamentar, estudantes da unidade divulgaram imagens de prateleiras, geladeiras e freezers vazios, expondo a falta de proteínas e outros itens essenciais da alimentação escolar. O caso ganhou repercussão após a circulação de vídeos nas redes sociais e desencadeou uma mobilização dos próprios alunos em defesa da direção da escola.
Durante o discurso, Ana Júlia afirmou que a situação não se restringe ao Colégio Roberto Langer. De acordo com informações apresentadas pela deputada, pelo menos 25 escolas de Curitiba e da Região Metropolitana registraram problemas semelhantes de abastecimento, especialmente relacionados à falta de proteínas. Entre elas estão o Colégio Estadual do Paraná, o Instituto de Educação, o Eusébio da Mota, o Hermelino de Leão, o Monteiro Lobato e outras unidades citadas em comunicações internas do próprio Núcleo Regional de Educação.
A parlamentar também relatou que documentos e mensagens obtidos por seu gabinete indicam que o Núcleo Regional de Educação já havia sido informado sobre a escassez de alimentos semanas antes da repercussão pública do caso. Segundo ela, uma visita técnica realizada na escola constatou que apenas 35% da alimentação necessária para atender os cerca de 1.360 estudantes estava sendo enviada à unidade.
Para cobrar esclarecimentos formais, Ana Júlia protocolou o Requerimento nº 1.549/2026, direcionado à Secretaria de Estado da Educação. O documento solicita informações detalhadas sobre as falhas na oferta da merenda escolar, os motivos das interrupções no fornecimento de proteínas, os contratos de logística e transporte, os mecanismos de fiscalização da entrega dos alimentos e os procedimentos adotados para garantir que os produtos adquiridos pelo Estado cheguem efetivamente às escolas.
O requerimento também questiona a Secretaria sobre o afastamento da direção do Colégio Roberto Langer, pedindo explicações sobre os fundamentos administrativos e legais da medida. Além disso, cobra esclarecimentos sobre denúncias de assédio moral, pressões hierárquicas e possíveis represálias contra diretores, professores e servidores que denunciam problemas enfrentados pelas comunidades escolares.
Na justificativa do pedido, a deputada afirma que a alimentação escolar é um dos pilares da permanência e do aprendizado dos estudantes, especialmente daqueles que dependem da merenda como uma de suas principais refeições diárias. O documento também destaca a necessidade de transparência na aplicação dos recursos públicos destinados à alimentação escolar e aponta preocupação com relatos de perseguição a gestores que tornam públicos os problemas enfrentados pelas unidades de ensino.
Durante a sessão, o deputado Mauro Moraes manifestou apoio às cobranças e afirmou ter recebido denúncias semelhantes em escolas da capital. Segundo ele, a situação é grave e exige resposta imediata do governo estadual.
Ao encerrar o pronunciamento, Ana Júlia defendeu os estudantes que denunciaram a situação e participam das mobilizações em defesa da escola e da permanência da direção. "Os estudantes estão lutando por um direito básico, que é a alimentação. Eles não se calaram diante de um problema que afeta diretamente a comunidade escolar e merecem ser ouvidos. O governo precisa explicar o que está acontecendo."