
Pela primeira vez na história, um transplante duplo de fígado e rim foi realizado por uma equipe médica do interior da Bahia através do Sistema Único de Saúde (SUS). O procedimento aconteceu na última semana, em Vitória da Conquista, e beneficiou um paciente de 55 anos, que teve alta hospitalar nesta segunda-feira (8). A ação foi conduzida pela Serviço de Transplante Papa São João Paulo II do Hospital São Vicente.
A doação e a captação dos órgãos ocorreram no Hospital Prado Valadares, na cidade de Jequié. Já o transplante duplo foi realizado no Hospital São Vicente de Paulo, na Santa Casa de Vitória da Conquista. Os dois órgãos foram utilizados em um mesmo paciente receptor que apresentava falência terminal irreversível tanto do fígado quanto do rim.
Segundo o diagnóstico médico, ele possuía cirrose hepática gravemente descompensada associada a uma falência terminal do rim. Diante do quadro, ele passou a ser internado frequentemente, além de ter que se submeter a três sessões de hemodiálise todas as semanas.
Considerando o histórico do paciente e as características do doador, a equipe médica da Santa Casa, com apoio da Casa Militar, deslocou três cirurgiões e uma enfermeira de aeronave até Jequié, onde o doador teve seus órgãos avaliados e julgados viáveis, realizando a captação tanto do fígado quanto dos rins.
O transplante de fígado foi realizado em quatro horas de cirurgia, e o de rim, em duas horas e meia. Ao final do procedimento, o paciente foi encaminhado já acordado e respirando espontaneamente. Participaram da operação cinco cirurgiões, um anestesista, dois instrumentadores cirúrgicos e dois enfermeiros.
Para Luiz Fernando Veloso, cirurgião-geral e chefe de serviço e responsável técnico do Serviço de Transplante Papa São João Paulo II, o transplante duplo inédito foi um sucesso e marca um avanço sem precedentes na saúde do estado. “Uma pessoa teve sua vida recomeçada de um modo extraordinário, de um modo impensável para nossa cidade a pouco tempo. Com os transplantes dos dois órgãos, a vida deste paciente tende a retornar ao estado normal restabelecendo a sua vida tanto em quantidade quanto em qualidade”, destacou.
O coordenador estadual do Sistema de Transplantes da Bahia, Eraldo Moura, ressaltou que o procedimento evidencia o compromisso estadual com a saúde dos baianos. “Há um empenho da Secretaria de Saúde do Estado em interiorizar os transplantes, ou seja, transplantar os pacientes próximo de suas casas. Esse é um projeto que, devido a extensão territorial da Bahia, vem se consolidando cada vez mais”, afirmou.
Atualmente, a Bahia tem 2.267 pessoas na fila do transplante de rim e 71 à espera da doação de fígado. Nos casos em que há possibilidade de doação, o estado ainda possui alta de casos de negativa familiar, chegando a 68% – taxa maior que a média nacional, que gira em torno de 45%. Face a esse cenário, Eraldo Moura reforça a importância de que episódios de transplante duplo não sejam exceção, mas uma realidade possível através da doação. “Que essa seja uma oportunidade de mais pessoas entenderem que a doação vem da sociedade. Por isso, é muito importante informar para a família se houver desejo de doar, porque a decisão final é dela”, frisou.
Fonte: Ascom/Sesab
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