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Carlos Lula atribui crise nos Socorrões ao enfraquecimento da rede estadual de saúde

Deputado lembra que hospitais criados para desafogar a urgência deixaram de cumprir papel estratégico no atendimento à população

09/06/2026 às 18h58
Por: Redação Fonte: ALEMA
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Carlos Lula durante pronunciamento na tribuna da Assembleia
Carlos Lula durante pronunciamento na tribuna da Assembleia

Assecom/Dep. Carlos Lula

O deputado estadual Carlos Lula (PSB) criticou, nesta terça-feira (9), na tribuna da Assembleia Legislativa do Maranhão, as declarações do governador Carlos Brandão sobre o funcionamento da rede municipal de saúde de São Luís. Ex-secretário de Estado da Saúde, o parlamentar afirmou que a superlotação dos Socorrões é consequência direta do enfraquecimento da rede estadual, que deixou de absorver parte da demanda de urgência e emergência para a qual foi estruturada.

Segundo Carlos Lula, o debate sobre a situação dos hospitais municipais não pode ignorar a realidade enfrentada pelas unidades estaduais de saúde em diversas regiões do Maranhão.

“O governador descobriu agora, no final do mandato, que existe um problema nos Socorrões e tenta transferir a responsabilidade para o município. O que ele não diz é que a rede estadual deixou de cumprir o papel que deveria desempenhar no atendimento à população”, afirmou.

Durante o pronunciamento, o deputado citou denúncias recebidas de várias regiões do estado, incluindo a situação da UPA Bernardo Sayão, em Imperatriz, onde pacientes estariam sendo atendidos em corredores devido à superlotação. Para ele, a dificuldade de atendimento nos hospitais regionais, macrorregionais e nas UPAs tem provocado uma pressão crescente sobre os serviços de saúde da capital.

“O problema não começa no Socorrão. O problema começa quando a rede estadual deixa de funcionar adequadamente e o paciente precisa percorrer centenas de quilômetros em busca de atendimento”, declarou.

Carlos Lula também criticou o funcionamento da Central Estadual de Regulação e afirmou que o acesso a leitos hospitalares tem se tornado cada vez mais difícil para a população.

“O cidadão não deveria precisar recorrer a deputado, prefeito ou vereador para conseguir um leito. Saúde pública é direito, não favor político”, disse.

O parlamentar afirmou que mais de 100 leitos estariam desativados em unidades estaduais por falta de manutenção, equipamentos, colchões e condições adequadas de funcionamento.

Ao abordar a atual situação da rede, Carlos Lula relembrou sua atuação à frente da Secretaria de Estado da Saúde e destacou investimentos realizados para ampliar a capacidade de atendimento hospitalar no Maranhão.

Entre os exemplos citados estão o Hospital da Ilha, em São Luís, e o Hospital de Alta Complexidade de Imperatriz, unidades planejadas para funcionar como referências no atendimento de urgência e emergência e reduzir a pressão sobre os hospitais municipais.

“Esses hospitais foram concebidos justamente para desafogar os Socorrões, ampliar o acesso da população e fortalecer a rede estadual. Hoje eu desafio o governador a retomar essa função para a qual eles foram criados”, afirmou.

Segundo o deputado, quando hospitais estaduais deixam de cumprir plenamente seu papel assistencial, os reflexos aparecem nos corredores lotados, nas filas por atendimento e na crescente dificuldade de acesso a exames, consultas especializadas e leitos hospitalares.

“Quando faltam exames, quando faltam leitos, quando hospitais deixam de cumprir sua função e a população precisa pedir socorro nas redes sociais para conseguir atendimento, estamos diante de um problema estrutural que não pode mais ser ignorado”, declarou.

Ao encerrar o pronunciamento, Carlos Lula afirmou que o Maranhão já demonstrou ser capaz de construir uma rede pública de saúde reconhecida nacionalmente e defendeu a retomada de políticas voltadas ao fortalecimento da assistência à população.

“O Maranhão já teve uma das maiores expansões da rede pública de saúde do país. O que a população espera agora é que os equipamentos existentes voltem a cumprir integralmente a missão para a qual foram criados: cuidar das pessoas”, concluiu.

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