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Assembleia debate demandas e soluções para ampliar a liderança da produção de tilápia no Paraná
Iniciativa foi do deputado estadual Pedro Paulo Bazana (PSD) e reuniu criadores e especialistas do setor.
15/06/2026 19h46
Por: Redação Fonte: Assembleia Legislativa do Paraná

A Assembleia Legislativa do Paraná realizou, nesta segunda-feira (15), no Plenarinho da Casa de Leis, a audiência pública "Aquicultura e tilápia do Paraná: liderança, eficiência produtiva e soberania alimentar". De acordo com o proponente da iniciativa, deputado Pedro Paulo Bazana (PSD), o objetivo foi estimular ainda mais a produção de tilápia no Paraná, criando oportunidades para que pequenos e médios agricultores tenham uma fonte adicional de renda. "Estamos trabalhando para garantir condições que favoreçam o crescimento da piscicultura, inclusive articulando apoio junto aos ministérios do Governo Federal para oferecer suporte aos produtores e fortalecer toda a cadeia produtiva do pescado no estado", destacou.

"O Paraná já se consolidou como um dos maiores produtores de tilápia do Brasil, e é fundamental criar espaços para ouvir todos os envolvidos nessa cadeia produtiva. Ao reunir produtores, entidades representativas e órgãos públicos, conseguimos identificar demandas e construir soluções que fortaleçam o setor, ampliando a produtividade nas propriedades rurais e levando mais recursos e estrutura para quem vive da atividade", complementou Bazana.

Outro parlamentar que participou do evento foi o deputado Jairo Tamura (PL). "A tilápia movimenta mais de R$ 11 bilhões por ano e somos um dos maiores produtores do mundo, mas continuamos comendo o peixe-panga. Precisamos defender a criação e o consumo do peixe, que movimenta nossa economia. A tilápia não é invasora. Precisamos aproveitar esta oportunidade de discussão para defender todo o trabalho e o investimento feitos pelos produtores", disse Tamura.

Compuseram a mesa o presidente do NAPI Aquicultura, professor Ulisses Pereira; Edio Chapla, presidente da Câmara Técnica de Aquicultura do Sistema FAEP, presidente do Sindicato Rural e coordenador dos núcleos sindicais rurais da região Oeste do Paraná; a superintendente estadual do Ministério da Pesca e Aquicultura, Fernanda Bueno; o médico veterinário Fabiano Cruzaro, representando o secretário de Segurança Alimentar da Prefeitura de Curitiba, Leverci Silveira Filho; e o presidente da Peixe Paraná, Valerio Angelozi.

Demandas e desafios

"O setor da piscicultura tem vários temas importantes para discutir, mas a principal pauta neste momento é a simplificação dos processos de licenciamento ambiental. Hoje, um produtor que pretende iniciar uma atividade precisa cumprir cerca de 25 requisitos apenas na área ambiental para obter seu enquadramento. Isso gera burocracia, aumenta os custos e dificulta especialmente a vida dos pequenos produtores. O que defendemos é uma evolução dos processos, com mais eficiência e menos entraves, sem abrir mão da responsabilidade ambiental", afirmou Edio Chapla, presidente da Câmara Técnica de Aquicultura do Sistema FAEP.

"Debates como este, na Assembleia Legislativa, são fundamentais porque aproximam o setor produtivo dos parlamentares e fortalecem a construção de soluções para a piscicultura paranaense. A presença de representantes de toda a cadeia produtiva permite ampliar as discussões e buscar ações que contribuam para desburocratizar a atividade. Também estamos debatendo iniciativas de valorização da piscicultura no Paraná, o que demonstra a importância de o poder público estar cada vez mais próximo dos produtores e das demandas do campo", destacou.

Já o presidente da Peixe Paraná, Valerio Angelozi, contou que é produtor há 19 anos e apresentou a instituição que representa, criada em 2024, com o objetivo de defender os interesses do setor, garantir competitividade e abrir novos mercados. "O Paraná é uma potência. Em 2025, produzimos 273 mil toneladas de peixes, sendo 98% de tilápia. O setor cresceu 9,2%, resultado de um trabalho conjunto entre entidades, pesquisa e produtores, transformando o setor em um dos mais dinâmicos e promissores do nosso Estado", comentou.

Entre as demandas, citou a necessidade de fortalecimento da isonomia tributária, aumento do consumo e maior participação da tilápia na alimentação escolar. "Além disso, precisamos avançar na identificação dos produtos dos associados, aumentando a rastreabilidade. Vamos buscar agora a liderança, além da produção, também em qualidade".

O professor Ulisses Pereira, da UEL, apresentou o estudo feito em conjunto com diversas outras instituições, que identificou os principais gargalos da produção.

O primeiro é refazer o levantamento epidemiológico das principais doenças que atingem a criação de tilápia, principalmente bactérias e vírus, para garantir a biossegurança, além de implementar um laboratório para analisar as doenças virais, possibilitando validar vacinas e agir mais rapidamente, com testes rápidos que garantam a proteção do estado, já que muitos dos alevinos criados aqui vêm de fora do Paraná.

Outros pontos citados pelo professor foram a necessidade de investir em pesquisas sobre aditivos e biorremediadores, para analisar a ambiência dos criadouros; pesquisas sobre a resistência a antibióticos; melhoramento genético da tilápia, com marcadores genômicos para criar tilápias com melhores índices zootécnicos; e também métodos de reuso de água, com biofiltros, garantindo água de qualidade e reutilizável. "Estamos trabalhando para estimular novos criadores e acreditamos muito que a piscicultura gere renda nas propriedades. Acreditamos também que a piscicultura transforma a sociedade", afirmou o professor.

O presidente da Coopersul, Leandro Aparecido, alertou sobre a necessidade de estimular o consumo da tilápia. "De que adianta sermos os maiores produtores, se estamos em último lugar no consumo, com apenas 820 gramas por ano por pessoa? Também precisamos que a lei que inclui a tilápia na merenda seja efetivamente cumprida, o que ajudaria a melhorar esse índice", disse.

Já o membro da Peixe Paraná, Luiz Porto, garantiu que a piscicultura é a solução para muitas famílias, mas ainda precisa de apoio político e econômico. Fernanda Bueno Mendes, superintendente Federal da Pesca e Aquicultura no Paraná, reforçou o protagonismo do Paraná no setor e colocou o órgão à disposição das entidades e do setor produtivo para buscar melhorias e novas legislações.

Participaram também o professor da UFPR, Cristiano de Castro, e Rafael Pinto, diretor vogal da Peixe Paraná. Ao final, os participantes da audiência também fizeram contribuições e depoimentos.

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AUDIÊNCIA PÚBLICA – “AQUICULTURA E TILÁPIA DO PARANÁ: LIDERANÇA, EFICIÊNCIA PRODUTIVA E SOBERANIA ALIMENTAR”

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