
Na manhã desta quinta-feira, 18, quando as crianças da Escola Municipal Luiz Acácio Barbosa, no Guamá, chegaram no refeitório, a mesa já estava posta. No cardápio, café com leite, pupunha, tapioquinha, farinha de tapioca e a explicação sobre a origem e o modo de preparo de cada alimento regional ali presente.
A atividade“Café Paraense”, realizada com os estudantes de três turmas do Maternal da escola, permitiu a degustação de alimentos típicos como uma forma de valorizar a cultura alimentar tradicional paraense.

A atividade integra oprojeto “Resgatando tradições e cultivando sementes”, criado em 2024 e que jáconferiu à escola o selo “Zélia Amador de Deus” de Escola Antirracista, concedido pelo Conselho Municipal de Educação. O projeto tem como objetivo fomentar a equidade e a valorização da diversidade étnico-racial no ambiente escolar, desde a primeira infância, por meio do letramento racial.
A diretora da escola, Noemia Santos, explica que é importante trabalhar essa temática racial desde quando as crianças são pequenas, pois algumas ainda reproduzem comportamentos racistas que provavelmente vêm de casa.
“Isso ocorre dentro da escola e se a gente não ficar atento, desde pequenininho, no Maternal, com certeza a gente não vai ter uma colheita boa lá na vida adulta. Então, trabalhar isso é de extrema importância”, explica a gestora.
O projeto antirracista possui outras frentes de atuação, como otrabalho commúsicas e cantigas de roda de origem afro-brasileira e indígenas e apresentação de literatura infantil com temática étnico-racial. A culinária regional é uma das abordagens feitas com as crianças, que aprendem na prática sobre memória, tradição e identidade.







A proposta de trabalhar com os alimentos regionais partiu da professora Paula Jucá, mas a ideia logo foi abraçada pelas outras professoras da escola, que também possui turmas de Jardim I e II, além do Maternal.

Ana Vitória de Souza, 4 anos, que já tinha comido pupunha e tapioca em casa, conta que gostou de poder vivenciar o “Café Paraense” na escola. “Tava legal. Gostei porque tava uma delícia”. Ela confirma que em casa sua mãe já faz tapioca. “Ela vira [a tapioca na frigideira] e não deixa cair”, conta a estudante.

Mas a atividade não começou com a degustação da comida regional. Antes do dia do “Café Paraense”, as professoras foram trazendo para a sala de aula elementos para apresentar e dialogar com as crianças sobre essa culinária, por meio de música, histórias, brinquedos, cartazes e figuras. E assim as crianças aprenderam que os ingredientes que suas famílias compram nas feiras e que elas comem no dia a dia têm grande valor e merecem lugar no espaço escolar.
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“Começar desde a primeira infância a trabalhar essa valorização, a potencializar esse saber, de conhecer a origem da farinha, por exemplo, que vem da mandioca, é uma forma também de trabalhar a educação ribeirinha. E a valorização dessa comida cabocla entra na educação antirracista”, explica a professora Paula Jucá.
No próximo semestre, o projeto deverá realizar também adegustação de sucos regionais e do “Almoço Paraense”, já realizado anteriormente na escola com direito a açaí com charque, tudo dentro da proposta do projeto antirracista.
“Quando a gente trouxe o almoço paraense para dentro da escola, foi uma forma que a gente viu de aproximar o tema deles, porque eles já conhecem. Cada elemento desse tem uma história, faz parte da nossa identidade. Então por que não trazer para essas crianças para elas se reconhecerem enquanto pertencentes a essa cultura?”, reflete a professora.
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