Há quem chegue à Estação Ferroviária para assistir a uma apresentação, experimentar uma comida típica ou simplesmente passear entre os polos. Mas, na véspera de São João, a noite desta terça-feira (23) revelou algo maior. Em cada canto da festa, era possível encontrar pessoas revivendo lembranças, compartilhando histórias e reforçando uma identidade construída ao longo de gerações.
Enquanto os repentistas transformavam versos em poesia e o forró pé de serra percorria os corredores, o público acompanhava tudo de perto. As quadrilhas se apresentavam no meio das pessoas, sem distância entre artistas e espectadores, criando um ambiente onde a cultura popular não era apenas observada, mas vivida.
Foi justamente essa conexão que chamou a atenção da cearense Audira. Para ela, preservar as tradições é uma forma de preservar quem somos. “Festa junina pra mim são fogueiras, famílias, muito forró, arrasta-pé, roupa típica e comida típica. Se não tiver bandeira, fita, balão e tudo aquilo que faz parte da nossa tradição, não é São João. De alguma forma, o nosso sangue grita para mantermos vivo tudo isso, porque um povo sem cultura é um povo sem identidade”, afirmou.
O mesmo sentimento estava presente em famílias que aproveitaram a noite para apresentar o São João às novas gerações. Mônica veio de Paulista com o marido e os filhos, todos vestidos a caráter. “Meu filho mais velho já conhecia o São João daqui, mas a mais nova está conhecendo agora. Desde pequenos já estão na tradição. Passa de pai para filho e tem que ser assim mesmo”, contou.
Em um ano que tem como tema Tecido de Tradições: Costurando Gerações, a beleza da cultura popular continua encontrando seu espaço mais importante: a vida das pessoas. Afinal, são elas que mantêm vivas as histórias, os costumes e os valores que fazem do São João uma das maiores expressões da identidade nordestina.