
A Vila do Forró tem se consolidado como espaço de valorização da cultura sergipana e geração de renda para os artesãos que participam da programação do Arraiá do Povo, na Orla da Atalaia, em Aracaju. Os expositores já classificam os primeiros 30 dias do evento como positivos. Para eles, o espaço do artesanato, além de impulsionar as vendas, aproxima turistas e sergipanos das tradições locais, por meio de peças que carregam identidade, história e criatividade. Rendas, acessórios, bolsas sustentáveis, artigos de decoração, vestuário e lembranças típicas compõem a diversidade de produtos comercializados.
A artesã Marilécia da Silva Cardoso, de Laranjeiras, comemora o sucesso das vendas dos acessórios produzidos em renda irlandesa. Trabalhando com artesanato desde os 12 anos, ela afirma que a procura superou todas as expectativas na Vila do Forró 2026. "A renda está bem além do que eu imaginei. Estou chegando em casa e, em vez de descansar, passo a noite produzindo para repor o estoque, que já está acabando", disse. Segundo ela, a maior parte da clientela é formada por turistas, inclusive visitantes de Portugal, mas os sergipanos também têm demonstrado cada vez mais interesse pela renda irlandesa, patrimônio cultural do estado.
Quem também fez um balanço positivo das vendas até agora foi a artesã Sara Taisir Mohamed Idris. De origem egípcia, ela disse que aprendeu o legado com o pai, um imigrante egípcio, que transforma folhas naturais em brincos, pingentes, marcadores de livros e quadros por meio de uma técnica criada pelo seu genitor. Participando pela segunda vez da Vila do Forró, ela afirmou que ampliou a variedade de peças e conseguiu atingir a meta de vendas prevista para este ano. "A maioria dos clientes é turista, mas estou conquistando também os sergipanos, que ficam encantados quando conhecem a história por trás do trabalho", informou.
Com um conceito voltado à sustentabilidade, Márcia Machado Carvalho chama a atenção dos visitantes ao transformar lonas utilizadas em eventos em bolsas exclusivas. Integrante do projeto Recria, da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem), ela informou que cada peça preserva parte da estampa original da lona, tornando o produto único. Márcia disse ainda já ter alcançado cerca de 70% da meta financeira planejada para este São João. "Quando conto a história do projeto, mostrando que aquela lona iria para o lixo e ganhou uma nova vida, os turistas se encantam e acabam levando a peça", destacou. Para o restante da programação, a expectativa de Márcia é de aumento no fluxo de visitantes durante o mês de julho, enquanto a Vila do Forró mantiver a programação.
A costureira e artesã Marlene Ferreira dos Santos disse que também tem motivos para já celebrar os resultados. Especializada em vestidos de quadrilha, ela confeccionou cerca de 150 peças entre abril e maio, todas vendidas antes do início dos festejos. Na Vila do Forró, segue comercializando panos de prato, bolsas, laços, presilhas e acessórios. "Estou muito satisfeita. Todo dia a gente vende um pouquinho de cada coisa e isso faz diferença. Agora a expectativa é que julho seja ainda melhor", afirmou.
Visitantes
Além de beneficiar os expositores, o espaço tem conquistado quem visita Sergipe. A dona de casa Rosimeire Rodrigues de Souza é moradora de Goiás e aproveitou a visita ao espaço para adquirir diversos produtos e reforçar a coleção de lembranças que leva para casa a cada viagem a Aracaju. Ao lado da família, ela contou que esta é a oitava vez que visita a capital sergipana e a terceira durante o período junino. Segundo ela, o artesanato encontrado na Vila do Forró chama atenção pela originalidade e qualidade. "Tudo o que vimos aqui é muito bonito, muito bem feito. Não tem nada parecido com o que encontramos em Goiânia. A pegada é completamente diferente", afirmou.
A visitante revelou que costuma voltar para Goiás com o carro cheio de presentes para familiares e amigos e destacou que o artesanato sempre faz parte da bagagem. "Sempre levamos lembrancinhas para quem ficou. A caminhonete vai cheia", brincou. Para Rosimeire, além da beleza das peças, Aracaju conquista pela tranquilidade. Ela compara a capital sergipana com Goiânia e afirma que a sensação de segurança faz toda a diferença. "Aqui é muito tranquilo. Todo mundo fala da segurança, da receptividade e da organização. A cidade tem um jeito acolhedor, parece uma cidade do interior, mas com praia. Eu prefiro viajar dois mil quilômetros para vir a Aracaju a ter que ir a Goiânia", disse.
A família chegou à capital sergipana na última quinta-feira, 25, mesmo enfrentando dificuldades para encontrar hospedagem devido à alta ocupação dos hotéis, e pretende permanecer na cidade até o início de julho, acompanhando a programação dos festejos. Segundo Rosimeire, ela e o marido já planejam retornar em 2027. "Quando voltamos para Goiás, fazemos propaganda de Aracaju para todo mundo. Gostamos muito daqui e queremos voltar no ano que vem", concluiu.
Com mais um mês de programação pela frente, os artesãos seguem confiantes no aumento do fluxo de turistas durante as férias de julho. A expectativa é que o movimento continue fortalecendo a economia criativa, ampliando a renda das famílias e reafirmando a riqueza cultural de Sergipe por meio do talento de quem transforma tradição em arte.
Maior São João à beira-mar do país
O Arraiá do Povo e a Vila do Forró são uma realização do Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap), BaneseCard e Ministério da Cultura, por intermédio da Lei Rouanet, com patrocínio da Eneva, Maratá, Celi, Rede Primavera, Iguá Sergipe, Deso, Pisolar, GBarbosa e Banco do Nordeste, com apoio da Energisa, Netiz, Sergas, Telequipe e Shopping Jardins.
















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