A manhã da última quinta-feira, 16, foi marcada por conquista e emoção na zona rural de Marabá. Em cerimônia realizada na sede do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Rio Preto, localizado na Vila Três Poderes, foram entregues 64 certificados às concluintes de dois cursos profissionalizantes e de duas oficinas.
A iniciativa do Departamento de Emprego e Renda da Secretaria de Assistência Social, Proteção e Assuntos Comunitários (Seaspac) visa capacitar novas profissionais para o mercado de trabalho formal ou para o empreendedorismo autônomo, garantindo uma nova fonte de renda para as famílias do campo. Foram ofertadas as formações em Panificação e Confeitaria e Corte e Costura, além das oficinas de Pipoca Gourmet e Maçã do Amor.
A titular da Seaspac, Mônica Thompson, destacou o impacto social da iniciativa em uma unidade do Cras com pouco tempo de existência, ressaltando o compromisso da gestão municipal com a descentralização dos serviços.
“Nossa missão é a equidade. Oportunizar para quem está mais distante e tem menos acesso. Para a gente não tem distância, não tem fronteira. Uma vez que o Cras está instalado na zona rural, todas as atividades da zona urbana estarão presentes também no campo”, afirmou a secretária.
Mônica enfatizou ainda que o público, majoritariamente feminino, ganha ferramentas cruciais para conquistar a independência.
“O papel da Assistência Social é apoiar essas famílias a empreenderem e criarem autonomia, para que, num futuro muito próximo, elas deixem de ser dependentes da política de assistência e se tornem protagonistas do seu próprio desenvolvimento, impactando significativamente a sociedade marabaense”, pontuou.
A coordenadora do Departamento de Emprego e Renda da Seaspac, Cynthia Ohana, classificou o momento como histórico, explicando que as capacitações foram planejadas sob medida para o território.
“Entendendo que, na zona rural, as famílias trabalham mais na informalidade, buscamos cursos para que elas pudessem gerar renda imediata, sem que o certificado ficasse guardado na gaveta”, explicou Cynthia.
O curso de Panificação e Confeitaria superou as expectativas, registrando 25 concluintes. Já as aulas de Corte e Costura foram descentralizadas para a Vila Santa Fé, em parceria com uma associação local, para onde a Seaspac transportou todo o maquinário necessário.
A relevância geográfica também foi defendida pela coordenadora do Cras Rio Preto, Josélia Gomes. Segundo ela, a unidade atende uma vasta região que inclui as vilas Três Poderes, Santa Fé, Capistrano de Abreu e Vila União.
“Esses cursos eram uma necessidade real da nossa região. Vemos a concretização dessas turmas como a realização de um grande sonho para a nossa comunidade”, declarou.
Para quem esteve na linha de frente repassando o conhecimento, o sentimento é de dever cumprido. A instrutora de Corte e Costura, Oneide de Sousa, que também reside na Vila Santa Fé, destacou o interesse das 12 alunas formadas em sua turma.
“Nossa comunidade é muito necessitada nessa área. As pessoas costumavam improvisar, mas nunca tinham tido um ensinamento básico. Vale a pena investir nelas para que consigam obter renda e um meio de sobrevivência”, relatou.
Entre as formandas, o clima era de celebração e de planos para o futuro. A dona de casa Maria Cleonilda Pereira, moradora da Vila Santa Fé, agarrou a oportunidade do curso de Corte e Costura “com unhas e dentes” e já pensa em se aprofundar na área para complementar o orçamento doméstico.
Quem também já colhe os frutos do aprendizado é Mayara Alves, que concluiu as oficinas de Pipoca Gourmet e Maçã do Amor, além do curso de Confeitaria.
“Foi maravilhoso. Eu já trabalho na área de confeitaria, e fazer esses cursos foi muito bom para buscar conhecimento e ampliar meu trabalho”, comemorou.
Já para a dona de casa Antônia Claudia da Silva, a certificação representa o primeiro passo para a realização de uma meta de vida. Emocionada, ela compartilhou o desejo de expandir sua atuação na comunidade.
“É um sonho que eu sempre tive. Hoje já faço algumas coisas e ajudo a comunidade. Como tenho o desejo de montar meu próprio ateliê, a gente tem que correr atrás e dar o melhor. Eu amo a costura, ela é tudo na minha vida. Sou grata por ver que as pessoas gostam e voltam, vindo gente até de longe para buscar o meu trabalho”, concluiu a nova costureira certificada.
Texto: Fabiana Alves
Fotos: Paulo Sérgio Santos
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