Amamentar é um gesto de amor, e o tema ganha ainda mais relevância neste mês, quando é celebrado o Agosto Dourado, campanha que reforça a importância da amamentação para a saúde e o desenvolvimento infantil. Além de proteger contra doenças e fortalecer o vínculo entre mãe e bebê, o leite materno é, para muitos recém-nascidos prematuros, a única forma de nutrição segura. Ao longo do mês, as unidades da Secretaria Municipal de Saúde do Rio (SMS) realizam várias atividades de conscientização e estímulo do aleitamento materno e também sobre a importância da doação do leite excedente para salvar vidas de bebês internados em UTIs neonatais e que não podem ser amamentados pelas próprias mães.
Em muitos lares cariocas, mães que produzem leite além da necessidade do bebê transformam esse excedente em alimento para recém-nascidos que lutam pelas próprias vidas em unidades de terapia intensiva neonatal. Para tornar esse gesto ainda mais acessível, a SMS mantém, durante todo o ano, a Rota do Leite, um serviço que leva a coleta de leite humano até a casa da doadora, sem que ela precise sair do conforto do lar para ajudar outras crianças.
É o caso de Leila da Silva, que é acompanhada pela Clínica da Família Antônio Gonçalves da Silva, em Realengo. Mãe da pequena Rebecah, de 1 ano, a confeiteira doa leite humano desde o nascimento da filha. Em 2025, ela recebeu um prêmio simbólico da unidade após se tornar a usuária que mais contribuiu com doações de leite ao longo do ano.
– Amamentar foi algo sensacional para mim, assim como doar leite tem sido. Quando ainda estava grávida da Rebecah, eu já tinha no meu coração o desejo de ajudar as mães da UTI neonatal. A amamentação é um gesto de amor e carinho, que me permite dar vida não só para a minha filha, mas também para outros bebês. Ser reconhecida por isso me valorizou como mulher e como mãe – destaca Leila.
Iniciativas como essa ganham ainda mais destaque no Agosto Dourado, mês dedicado a reforçar a importância do aleitamento materno para a saúde e o desenvolvimento infantil.
Como funciona a Rota do Leite
A rota começa ainda no pré-natal, quando as equipes das clínicas da família acompanham e orientam as gestantes. Após o nascimento, verificam se a puérpera está com produção de leite superior à necessidade do próprio filho e se aceita se tornar uma doadora. A partir daí, a mulher recebe orientações e todo o material necessário para a coleta, fornecido gratuitamente pela unidade, e o acondicionamento. Isso permite que a mãe realize a ordenha no conforto de casa.
Na mesma semana, agentes comunitários de saúde passam de porta em porta para recolher o leite doado, que fica armazenado na unidade mais próxima. Semanalmente, um veículo da SMS percorre as unidades de cada região para reunir as doações e encaminhá-las a um dos sete bancos de leite humano instalados em maternidades de referência da cidade, onde o material passa por rigoroso controle de qualidade e pasteurização antes de chegar aos bebês que mais precisam.
Hoje, a rede conta com 39 postos de recebimento de leite humano espalhados por unidades básicas de saúde do município, integrados a esse trajeto que começa em uma casa qualquer do Rio e termina salvando vidas dentro de uma UTI neonatal. Cada pote de 300 ml de leite doado pode alimentar até dez recém-nascidos internados.
Um desses pontos está localizado no Hospital Municipal Rocha Faria, em Campo Grande, que atende bebês prematuros e de baixo peso, como a recém-nascida Maria Luiza. Hoje com dois meses, ela nasceu com prematuridade extrema, quando a mãe, Marcelle da Costa, tinha 26 semanas de gestação.
– Eu dei à luz aqui no Rocha Faria, no dia 29 de maio e, desde então, eu passo cerca de 12 horas por dia no hospital com minha filha, inclusive aos finais de semana, para que ela possa se alimentar. Eu tenho uma produção de leite bem pequena e, por conta da prematuridade, a Maria Luiza ainda não consegue fazer a sucção. Então, a doação tem sido a nossa solução – relata Marcelle.
Analista financeiro, ela conta que precisou se afastar do trabalho para se dedicar ao cuidado integral da filha, que inclui acompanhamento com a fonoaudióloga da unidade.
– Geralmente, nós chegamos às 8h e vamos embora às 20h. Meu marido vem antes ou depois do expediente dele para revezar comigo. A equipe é muito solícita e simpática, todos me explicam e me ajudam com tudo o que preciso. Se eu pudesse dar uma dica para as mães que estão na mesma situação que eu, eu diria: não desistam. Não é fácil, mas é possível se vivermos um dia de cada vez – aconselha.
Quem pode doar?
Podem se tornar doadoras mulheres saudáveis que estejam amamentando, produzam leite em quantidade superior à necessidade do próprio bebê e não façam uso de medicamentos que sejam contraindicados à amamentação. Quem quiser ajudar também pode doar potes de vidro com tampa, usados no armazenamento do leite coletado. Para encontrar o posto de coleta ou o banco de leite mais próximo, basta acessar saude.prefeitura.rio/doacao-de-leite-humano.
11º Piquenique da Amamentação
Na última quinta-feira (13), a Clínica da Família Antônio Gonçalves da Silva realizou a 11ª edição do Piquenique da Amamentação. Com o tema “Amamentar Nunca Sai de Moda”, a iniciativa reuniu gestantes, puérperas, mães, bebês e familiares em uma manhã de informação, acolhimento e promoção da saúde.
Realizado há 11 edições pela unidade, o Piquenique busca fortalecer o aleitamento materno e, também, incentivar a captação de novas doadoras e ampliar a conscientização sobre a importância da doação de leite humano. Nesta edição, o Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, onde se localiza o maior banco de leite humano da rede municipal, participou como parceiro da clínica da família, reforçando a integração entre a Atenção Primária e a atenção hospitalar.