A nova edição do programa Arte e Cultura, da TV Assembleia do Paraná, estreia nesta sexta-feira (14), tratando de um tema importante que ainda não tem a merecida visibilidade. A jornalista Paola Manfroi recebe a pesquisadora Judit Gomes da Silva, coordenadora do Museu de Territórios Afroparanaenses da Universidade Federal do Paraná (MAFRO-UFPR), para uma conversa sobre história, memória e cultura.
Inovador em sua forma, o MAFRO nasceu como uma plataforma digital e se constitui como um museu universitário comprometido com a educação, a pesquisa e a extensão. Entre seus objetivos, a coordenadora destaca a investigação, a preservação e a difusão da presença negra no Paraná.
"O MAFRO, na verdade, é o desdobramento de um projeto anterior. O professor Paulo Vinicius, em memória, fez uma proposta de projeto junto ao Ministério da Igualdade Racial para a extensão da Linha Preta que já temos em Curitiba. Ele tinha o objetivo de criar o Memorial Irmãos Rebouças, e os recursos previstos destinavam-se à criação de um espaço físico mesmo, um memorial, enfim, nos termos do que se espera tradicionalmente de um memorial", explica a pesquisadora, destacando os fatores que fizeram essa ideia inicial mudar para a criação de uma plataforma digital.
"Quando os recursos vieram, vieram na modalidade de serviços e, além de não termos espaço físico, não teríamos condições de usá-los para a aquisição de materiais e equipamentos, como estava previsto no projeto. Nesse meio-tempo, um mês antes de o projeto ser contemplado e de os recursos chegarem, o professor Paulo partiu de forma inesperada, deixando-nos um vazio imenso. Quando voltamos ao projeto, assumi a coordenação e, conversando com a equipe, sugeri criar uma plataforma digital. Até porque eu tinha experiência em comunicação, já trabalhava no núcleo de comunicação e também fazia a gestão de um site, então a proposta ia muito ao encontro de algo que eu já conhecia", complementa, lembrando que o maior desafio a partir dessa definição foi manter a essência de um museu nesse campo digital.
"Quando pensamos na execução, conversamos com a equipe do Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR para ter orientações. Não queríamos colocar o museu apenas como um nome; queríamos realmente fundá-lo com as devidas atribuições de um museu. Em julho de 2025, já com o planejamento iniciado, solicitamos o domínio do site e apresentamos o projeto a lideranças de entidades negras".
Foi desse intercâmbio que nasceu a base do MAFRO, que destaca algumas das personalidades negras mais importantes para a história do Paraná e sua contribuição para a formação da cultura e da identidade paranaense, como os irmãos Rebouças, pioneiros das grandes obras de engenharia no estado, a exemplo da estrada de ferro entre Curitiba e Paranaguá, e Enedina Alves, a primeira mulher engenheira da história do Brasil.
"Fizemos uma reunião com cerca de 40 entidades negras, com representações de entidades importantes de Curitiba, além de representação quilombola e de coletivos negros, para apresentarmos a nossa proposta. Elas nos deram um retorno: essa era uma demanda histórica, que vinha ao encontro do que o movimento negro tem feito desde o pós-abolição — o reconhecimento do seu lugar na história, o direito de escrever sua própria história, de ter presença, inclusive nos museus, e de ver sua memória e seus fazeres reconhecidos", afirma a coordenadora.
Onde assistir
O programa é exibido às sextas-feiras, às 13h, na TV Assembleia, no Canal 10.2, e pode ser conferido no canal da TV Assembleia do Paraná no YouTube, a partir do mesmo horário. A cada semana, a atração recebe grupos folclóricos, coreógrafos, maestros, diretores de museus, artistas plásticos, diretores e produtores de teatro, escritores e poetas para um bate-papo descontraído sobre o mundo das artes.
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