
Ao encerrar os festejos pelos dez anos dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 neste domingo (09/08), a Prefeitura eternizou as mãos de atletas em um mural, que será instalado próximo à piscina do Parque Oeste Ana Gonzaga, em Inhoaíba, além de inaugurar duas esculturas alusivas ao evento, que ficarão permanentemente no local. O equipamento aquático é emblemático porque foi utilizado nas competições realizadas no Parque Olímpico da Barra e marcou as despedidas dos multicampeões paralímpico e olímpico, o brasileiro Clodoaldo Silva e o americano Michael Phelps, respectivamente.
– O legado olímpico não era algo que a gente ia guardar no armário, arquivar e deixar ali, como se fosse um documento. Isso não é legado. O legado não é para guardar. O legado é para viver! É por isso que as pessoas vivem o legado olímpico da Rio 2016 nesses dez anos. É por isso que a gente está só começando esse capítulo da cidade, dez anos depois do legado olímpico, olhando para frente – afirmou o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere.
Ao enumerar alguns dos vários legados deixados pelos Jogos 2016 para a cidade e os cariocas, o prefeito lembrou a construção de mais de 180 quilômetros de BRTs e do renascimento da Zona Portuária, que até 2030 receberá cerca de 30 mil novos moradores. Cavaliere destacou também a importância da arquitetura nômade adotada para o evento, quando uma instalação é erguida temporariamente para depois ser desmontada e ter seu legado maximizado ao ser reaproveitada.
– Temos orgulho de dizer que a arquitetura é nômade. Transformamos a Arena do Futuro (local das disputas do handebol e goalball nos Jogos) em quatro escolas públicas. A maior escola hoje, entre as 1.600 escolas do município, é o Ginásio Educacional Olímpico Isabel Salgado. Foi a primeira vez que uma Arena Olímpica virou uma escola. O IBC, que era o Centro de Mídia dos Jogos, agora é o Terminal de Gentileza, onde circulam mais de 100 mil pessoas por dia – ressaltou o prefeito.
No balanço de legado, Cavaliere citou o Parque Radical como outro exemplo bem-sucedido. E destacou a instalação da piscina olímpica na Zona Oeste, uma das mais carentes da cidade, o que aumenta exponencialmente o efeito positivo dos benefícios dos Jogos para a população.
– Os atletas de canoagem se preparam, a Confederação de Canoagem usa e a população utiliza o Parque Radical, além de milhares de pessoas todos os dias com acesso a atividades gratuitas oferecidas pela prefeitura. Dentro do Parque Oeste, são 260 mil metros quadrados de área pública de qualidade, de excelência, para a população. Dentro desse parque público está a piscina original da Rio 2016. A piscina em que Michael Phelps, recordista de medalhas, nadou, que o Clodoaldo Silva, outro recordista, nadou e que tantos atletas nadaram. É uma piscina oficial! São 2.100 alunos e alunas que usam essa piscina todos os dias. Tenho certeza de que daqui, do legado olímpico, no Parque Oeste, vai nascer o futuro campeão olímpico da nossa cidade e do nosso país – festejou o prefeito do Rio.
Acompanhado pelos nadadores Clodoaldo Silva e Bruno Fratus e pela nadadora Ana Marcela Cunha, além de outros atletas, o prefeito do Rio fez o molde das mãos que ficarão expostas no mural. Após o ato, os atletas participaram de uma prova de exibição e recordaram momentos vividos na mesma piscina em 2016.
– Fico feliz porque o legado é ótimo, mas o legado para a comunidade é o mais importante. Aqui, no Parque Oeste, os moradores e as crianças, que sonham em ser um nadador profissional, vão poder ter à disposição uma piscina profissional – afirmou Clodoaldo, medalhista paralímpico na Rio 2016 na mesma piscina.
Atleta do Time Rio, Ana Marcela Cunha, campeã olímpica da maratona aquática, também falou sobre o legado olímpico. Ela, que no fim do mês acrescentou às suas conquistas ter realizado a travessia do Canal da Mancha, 42,9 km entre a França e a Inglaterra, frisou os benefícios do esporte.
– Sabemos que o Rio de Janeiro é grande, onde tem muitos atletas e pessoas que, às vezes, precisam do esporte como qualidade de vida. As crianças, por exemplo, de uma certa forma, ficam longe das ruas e do mau caminho. Acho fundamental para a disciplina, a educação. O objetivo não é só formar campeões, mas formar seres humanos melhores – salientou Ana Marcela.
Medalhista de bronze nos Jogos de Tóquio 2020, o nadador Bruno Fratus frisou que são equipamentos populares como este que podem revelar grandes talentos. Ele, que competiu na Rio 2016, elogiou a estrutura da piscina do Parque Oeste.
– A palavra-chave é legado! Fui a três Jogos Olímpicos e competia em piscinas exatamente iguais a essa. Então, a estrutura é da melhor qualidade possível que existe no mundo inteiro. E é uma estrutura assim que tem potencial para revelar grandes nomes do esporte – afirmou Fratus.
Nos Jogos de 2016, o Estádio Aquático Olímpico, erguido no Parque Olímpico, recebeu as disputas de natação e também foi projetado dentro do conceito de arquitetura nômade. Para aumentar os benefícios de seu legado, optou-se por instalar sua piscina no Parque Oeste.
O Parque Oeste ocupa uma área total de 260 mil metros quadrados na Avenida Cesário de Melo. Ele foi inaugurado em setembro de 2024 e já recebeu equipamentos como a Escada das Águas Roberto Burle Marx, a Nave do Conhecimento, um skatepark, um campo de futebol society, um espaço ecumênico e um mirante.
Já a piscina olímpica tem medidas oficiais de competição, com 50 metros de comprimento, e segue os padrões internacionais utilizados em grandes eventos esportivos. Atualmente, mais de duas mil pessoas participam gratuitamente das aulas de natação e hidroginástica no local.
– Sou muito grata por ter tido a oportunidade de competir em casa e contar com o apoio fervoroso da torcida brasileira. O legado dos Jogos é evidente. O Rio de Janeiro apresentou uma evolução significativa, tanto para a população quanto para nós, atletas. Utilizo a Vila Olímpica do Mato Alto como base de treinamento. É uma honra celebrar este marco de uma década e constatar que as estruturas permanecem ativas, fomentando a prática esportiva entre os cidadãos – disse a atleta Marivana Nóbrega, que conquistou a medalha de bronze no atletismo na Rio 2016.
Moradora de Campo Grande, Nina Lima, de 43 anos, contou que a filha, a triatleta Lara Lima, de 14 anos, utiliza a estrutura do Parque Oeste para treinar. Atleta do Fluminense e da Vila Olímpica de Pedra de Guaratiba, Lara teve sua rotina melhorada com a piscina instalada no local.
– A Lara é atleta do Fluminense e representa a Vila Olímpica Doutor Sócrates, em Pedra de Guaratiba. Para nós, este local representa um verdadeiro legado. É um privilégio contar com um espaço tão estruturado, que carrega uma história relevante e que inspira atletas pelos quais a Lara tem grande admiração. Ela participou da cerimônia de inauguração e é gratificante retornar hoje para treinar ao lado de outros grandes atletas. A rotina dela inclui natação três vezes por semana. Nos outros dias, dedica-se ao ciclismo e à corrida, utilizando também o Parque Radical de Deodoro, que é um ambiente adequado para competições – contou Nina.
Exposição Olímpica e Paralímpica
A festividade no Parque Olímpico foi o terceiro ato da prefeitura para celebrar os Jogos 2016. Na quarta-feira (05/08), data que marcou os dez anos da Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio, foi inaugurada a exposição “O Amanhã Olímpico: Legado e Futuro”, no Museu do Amanhã. E, no sábado (08/08), foi realizada uma clínica para alunos das Vilas Olímpicas no Parque Olímpico, além da inauguração de duas esculturas no local.
A mostra no Museu do Amanhã revive a trajetória do Rio na organização e realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos 2016 e convida o público a refletir sobre o legado construído e qual ainda será erguido. O visitante terá contato com relíquias originais, como as medalhas, a Tocha Olímpica, uniformes e as mascotes.
O público ainda pode interagir com algumas instalações e lembrar de todo o legado deixado pelos Jogos.
“O Amanhã Olímpico: Legado e Futuro” pode ser visitada gratuitamente até o dia 5 de outubro, de quinta-feira a terça-feira (às quartas-feiras o museu está fechado), das 10h às 18h (última entrada às 17h).
Terminal Gentileza
Os cariocas também poderão festejar os dez anos dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 no Terminal Intermodal Gentileza. Um painel instagramável e uma Tocha Olímpica, onde o público poderá tirar fotos, foram instalados no terminal.
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