
Mais do que levar pedidos a mesas, servir com atenção, agilidade e gentileza são a marca dos profissionais que fazem do atendimento um compromisso diário com o serviço da culinária paraense.Nesta terça-feira, 11, Dia do Garçom, profissionais que atuam no mercado de São Brás, um dos pontos mais tradicionais de Belém, acumulam anos de histórias, amizades e amor pelo que fazem.
O Mercado de São Brás apresenta oportunidades de trabalho para centenas de trabalhadores, entre eles os garçons, que encontraram no mercado a chance de iniciar uma profissão, construir uma carreira e garantir o sustento de suas famílias. A rotina exige disposição, paciência e dedicação. Em dias de grande movimentação, o atendimento precisa ser ágil e organizado, sem deixar de lado a atenção ao cliente.
Entre os rostos que personificam essa dedicação está o de José Maria Soares Rodrigues, de 63 anos. O morador do bairro do Marco carrega consigo a experiência de 35 anos, uma trajetória profissional que começou de forma inesperada.
“Na verdade, eu não escolhi, entrei meio que de paraquedas e gostei”, recorda ele, ressaltando que, embora não fosse seu plano inicial, acabou se apaixonando pelo que chama de “a arte de servir”.
Segundo José Maria, ser garçom garante a estabilidade financeira de sua família e a formação de seus dois filhos, que têm curso superior. A expertise na área, diz exige uma entrega que vai além do uniforme.
Hoje, atuando no mercado de São Brás após uma longa jornada por diversos estabelecimentos de Belém, ele destaca que o bom profissional precisa ter domínio total do cardápio e técnicas de harmonização para atender um público cada vez mais exigente e informado.

Ao longo dos anos, muitos clientes se tornam amigos. A convivência diária cria vínculos que fazem parte da identidade do mercado e tornam o ambiente acolhedor tanto para quem trabalha, como para quem visita o espaço.
Os garçons também acompanham as transformações no mercado de São Brás. Reformas, mudanças na estrutura e a chegada de novos empreendimentos fazem parte da trajetória desses profissionais que permanecem contribuindo para manter viva a tradição do local.
Representando a nova geração que mantém viva a energia do mercado, Cleidiene de Oliveira, de 28 anos. moradora de Ananindeua, ingressou na profissão há cerca de dois anos, inicialmente por necessidade financeira, para ajudar a família, mas logo se viu cativada pela profissão. Para ela, atuar em um local de tamanha relevância histórica é um privilégio.
O dia a dia exige fôlego. Cleidiene descreve a rotina como uma verdadeira “correria”, especialmente quando o mercado está lotado e o cliente espera agilidade e qualidade no serviço.

Além do cansaço físico, ela aponta que o maior desafio é lidar com a diversidade de comportamentos, pedindo sempre mais respeito e profissionalismo no trato com quem serve. Para superar os momentos difíceis, ela aposta na resiliência: “É preciso ser mais paciente… às vezes eu acabo passando para o meu colega de trabalho algumas situações que eu não consigo resolver e ele acaba me ajudando. A gente tem uma equipe boa, uma ótima parceria”.
A profissão exige muito mais que técnica.Saber ouvir, compreender o cliente, manter a simpatia mesmo nos momentos de maior movimento e trabalhar em equipesão características indispensáveis para oferecer um serviço de qualidade.
Neste dia do garçom, a Prefeitura de Belém celebra homens e mulheres que fazem da profissão um exercício diário de dedicação e hospitalidade. São trabalhadores que, entre pedidos, conversas e sorrisos, ajudam a construir a história da gastronomia paraense.
Texto: Gabrielly Moura, estagiária, sob orientação de Roberta de Paula, da Ascom/Sedcon.
Mín. 20° Máx. 26°