
Belém avança na implantação de soluções sustentáveis para enfrentar os impactos das chuvas e, ao mesmo tempo, transformar a paisagem urbana. Na avenida Marechal Hermes, em frente à praça Waldemar Henrique, o jardim de chuva entrou na etapa de paisagismo, com o plantio de espécies ornamentais e arbóreas.
Considerado o maior jardim de chuva em construção na capital , o espaço tem mais de500 metrose integra o programa Belém Mais Verde , iniciativa da Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), que reúne ações de arborização, ampliação das áreas verdes da capital e tem como principal meta o plantio de 1 milhão de mudas na cidade.


Os serviços no local começaram no início de agosto e incluíramescavação, regularização do solo, assentamento do sistema de drenagem, instalação de meio-fio e lançamento de terra vegetal. Antes ocupado por uma área pavimentada e impermeável, o canteiro central está sendo transformado em um espaço capaz de receber e infiltrar parte da água das chuvas. A estrutura também contará compoços de retenção e infiltração, que auxiliam no armazenamento e na absorção da água pelo solo.

A secretária municipal de Meio Ambiente, Juliana Nobre, explica que a intervenção reúne diferentes benefícios ambientais e urbanos.
Segundo a secretária, a escolha da vegetação tem papel importante na transformação do espaço.

Juliana Nobre destaca ainda que a iniciativa faz parte de uma estratégia de adaptação de Belém às mudanças climáticas, utilizando a própria natureza como aliada no planejamento urbano.
O agrônomo e paisagista da Semma Junior Melo explica que uma das principais mudanças realizadas na avenida Marechal Hermes foi a retirada do pavimento existente para permitir que o solo voltasse a desempenhar sua função de absorção.

Antes do plantio, foram executadas as estruturas necessárias para garantir o funcionamento do jardim como sistema de drenagem sustentável.
A etapa de paisagismo começou na terça-feira (25) e deve ser concluída até 4 de setembro. A previsão é que, ao final do período, todo o canteiro esteja com as espécies distribuídas e o jardim formado.

Entre as espécies utilizadas estãopetúnias selvagens (Ruellia), inhame (Colocasia esculenta), tajá (Caladium bicolor), helicônia-papagaio (Heliconia psittacorum), cana-da-índia (Canna indica) e grama-amendoim (Arachis repens). A seleção considera características de adaptação ao clima amazônico, além da composição visual do espaço e da capacidade de contribuir para a formação de uma área verde diversificada.

Os jardins de chuva são uma das chamadasSoluções Baseadas na Natureza(SBN)e estão relacionados ao conceito de cidade-esponja, que busca ampliar a capacidade dos espaços urbanos de absorver, armazenar e liberar a água das chuvas de forma gradual.
A proposta é transformar áreas impermeabilizadas em espaços verdes multifuncionais, utilizando estruturas de drenagem associadas à vegetação. Dessa forma, parte da água deixa de escoar rapidamente pelas ruas e pode ser retida e infiltrada no solo.
Entre os resultados esperados estão aredução do escoamento superficial, melhoria da qualidade da água, recarga do lençol freático, criação de áreas verdes, conforto térmico e estímulo à biodiversidade.



O Jardim de Chuva da Avenida Marechal Hermes faz parte de um conjunto de intervenções planejadas pela Prefeitura. O projeto já conta com ações realizadas na rua dos Mundurucus , onde o plantio foi concluído, restando a instalação da placa oficial para a finalização, além dos jardins implantados nas áreas doCanal do Una e do Canal do Jacaré, por meio do Urbanismo Tático.
No Horto Municipal de Belém, a implantação começou em junho e foi finalizada em julho deste ano.
Também estão previstos novos jardins em pontos como atravessa Rui Barbosa, na esquina com a avenida Gentil Bittencourt, próximo ao Centur; a rua Quintino Bocaiuva , nas proximidades da Semma;e um ponto no bairro da Terra Firme . Outros locais ainda poderão ser incluídos no projeto.


A mudança no canteiro central da avenida Marechal Hermes chama a atenção de quem circula pela região. O empresário Eric Barros, 24 anos, que mora em Marabá e trabalha com tapeçaria automotiva, aprovou a iniciativa e destacou a transformação visual provocada pela intervenção.
O gesseiro Daniel Monteiro, 36 anos, morador do Tapanã, também avaliou positivamente a implantação do jardim.
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